quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Às vezes tenho a sensação de que a minha mente e o meu coração vivem em corpos diferentes…

Se o meu coração diz vamos fazer, a minha mente apronta-se a apresentar uma série de obstáculos que não só confundem o coração, como o deixam perdido no asfalto.

Se a minha mente diz vamos lá, o meu coração sai-se com uma dezena de sentimentalismos que além de deixarem a minha mente atrofiada, ainda a irritam profundamente, não existe coisa mais irritante que um coração lamechas e cheio de emoções.

Quando a minha mente se perde em pensamentos longínquos, recheados de dúvidas e incertezas sobre a vida e o futuro, vem o coração cheio de certezas, demonstrar que a vida é para ser vivida ao máximo e sem receios, dando valor a cada momento passado.

Se o meu coração se lembra de duvidar de si mesmo, a minha mente explode sabedoria (como se fosse muito sapiente) e reitera que as dúvidas não são coerentes com o progresso e que duvidar de si mesmo só traz dissabores.

Estando a minha mente numa onda depressiva, vendo negativismo em tudo para onde olha, vem o meu coração atrapalhado mostrar-lhe que o verdadeiro sentido da vida está nas emoções e que só nós mesmo poderemos lutar pela nossa saúde mental e emocional.

Começando o meu coração a sentir-se apertado e abatido, com a possibilidade eminente de entrar em claustrofobia e consequente colapso emocional, aparece, sem pedir licença, a minha mente dotada de um poder de persuasão impressionante (que não sei onde foi desencantar) e lá o convence que os dois juntos são mais fortes que qualquer sentimento ou pensamento restritivo.

Se, por um acaso, a minha mente se lembra de recordar momentos ou situações passadas, atulhadas de pesadas reflexões, o meu coração apressa-se a lembrar-lhe que o passado já passou, e que se já passou, nada mais há a fazer, pelo que devemos fazer-lhe o luto e seguir o nosso caminho sem olhar para trás.

Quando o meu coração vai rebuscar sentimentos de ansiedade, desmotivação, renúncia, irritação, ou qualquer outro sentimento negativo, a minha mente começa a transmitir-lhe ininterruptamente imagens (como se de um filme se tratasse) com todos os momentos felizes que tiveram juntos, relembrando-o de que o que realmente importa são esses momentos, pois é neles que se fundamenta a nossa felicidade e é através deles que conseguiremos alcançar muitos outros, seguindo a nossa vida da forma mais positiva e completa possível.

No entanto, se for a minha mente a sofrer um desvio momentâneo do que realmente importa para sermos felizes, é o meu coração que lhe transmite o amor necessário para a reencaminhar em direção ao trilho certo. Mostrando-lhe que o caminho correto não é de todo o mais fácil (tipo autoestrada sem obstáculos), mas sim o mais duro, apinhado de dificuldades, pedras, espinhos e todo o tipo de contrariedades. Pois é esse o caminho do conhecimento, da aprendizagem e da superação. A cada obstáculo superado tornar-nos-emos mais fortes, mais resilientes, mais sábios e consequentemente, mais seguros de nós mesmos, mais confiantes das nossas capacidades e mais felizes. É para isso mesmo que dispomos do livre arbítrio, que é de longe, o melhor e maior dom que nos foi concedido.

Estou certa, então, de que a minha mente e o meu coração fazem parte do mesmo ser (eu 🤗), e que apesar de nem sempre estarem de acordo ou na mesma posição, nunca se abandonam um ao outro e estão em constante comunicação, não deixando lugar a grandes dramas, complicações ou ilusões. Esta ligação permite-me viver excecionalmente, sofrer sensatamente, amar intensamente, sentir profundamente e aprender ativamente, dando prioridade ao que realmente importa na vida, que são os nossos vínculos e atitudes com os outros, com nós próprios e com o mundo, dando a cada situação a importância devida.

Não sou, de todo, um exemplo de perfeição… pensando bem, acho que não sou exemplo algum 😅. No entanto, assim como todos vós, vivo e aprendo todos os dias um pouco mais. Melhoro algumas coisas, pioro outras, cometo erros, tento corrigi-los ou compensá-los… sou perfeitamente recheada de imperfeições e às vezes tenho a mania que sou esperta, o que me traz, mais vezes do que devia, certos dissabores que dispensava cordialmente. Tento ser melhor a cada dia que passa, nem sempre sou bem-sucedida, mas aprendi com o tempo, que a verdadeira força não está em vencer, em ser perfeitos ou os maiores, mas em aceitar os nossos erros, tentar emenda-los, respirar fundo, levantar-nos novamente, superar e seguir em frente, tentando melhorar um pouco mais a cada queda e aceitando, sem resistência, a ajuda de quem nos quer bem, pois, muitas vezes essa ajuda é essencial ao nosso progresso.

A teimosia que persiste em tomar conta do meu ser e saber, nem sempre é bem-vinda, no entanto a realidade é que foi essa mesma teimosia que me ajudou a tornar-me uma pessoa mais persistente, resiliente e a aceitar as minhas imperfeições como parte da aprendizagem que me espera nesta vida.

Olhando em frente não vejo o meu futuro, vejo uma imensidão de possibilidades, de escolhas, de caminhos e alternativas. Esperando ser capaz de distinguir o melhor para mim e para os meus, tendo sempre em conta que o futuro não depende apenas das minhas escolhas, mas das escolhas de todos nós. A esperança, a gratidão, o perdão, a aceitação e a humildade são, entre outras, características e emoções que fazem de todos nós seres em constante aperfeiçoamento e reconhecendo-as e aceitando-as, alcançaremos, não a perfeição, pois essa não existe, mas a nossa satisfação e felicidade perante a vida, perante os outros, perante este mundo e o próximo.

Sejam Felizes! 😉

Sem comentários:

Enviar um comentário