terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Atrás de ti...

"...E, como sempre, num dia de stress, com hormonas desvairadas á mistura, não consegui controlar a ansiedade e esta estúpida "mania" de me vingar na gula para aliviar a dor na alma..."

Este tem sido o meu lema todos os dias ansiosos que por mim passam, e que na realidade, são mais que muitos, o que torna a situação ligeiramente preocupante. 

Já lá vão meses de medicação, terapias, dietas, substitutos saudáveis, crenças, pensamentos de mudança "agora é que é!", "A partir de amanhã não toco em mais porcarias", "a semana que vem", "o ano que vem", "prometo", "juro", "tem de ser"... Promessas a mim mesma, falhadas, umas atrás das outras, durante meses, anos. E no fim, os sentimentos que permanecem são sempre os mesmos, raiva, ansiedade, impotência, fraqueza, desilusão, desespero, vergonha, culpa, muita culpa...

Comigo... Só comigo...


Não é fácil virar as costas e fazer de conta que não te afeta. Que não importa se tens 10 ou 15 kg a mais (do que deverias ter, segundo especialistas médicos). Que o que importa é o que tens dentro de ti, o que dás de ti. Que o facto de te sentires fora de ti mesma, como se estivesses no corpo de outra pessoa, não te dói, todos os dias, como se te espetassem uma faca no ventre sempre que te lembras disso. Que a vida é maravilhosa, que tens tudo para ser feliz, que o que importa é teres saúde... 

Pois...

Só que, não... Essa não é a tua realidade.


Não dá para esconder a dor dilacerante que te corta constantemente a mente, como se dois lados de ti lutassem diariamente para vencer e ficar, sem que nenhum deles seja o ideal...


Não dá para fazer de conta, quando os nossos olhos vêem para além do nosso coração e nos mostram o lado negro das coisas que nos talham...


Não é possível manter a fé na nossa identidade, quando esta já deixou de existir, como sempre foi, há muito tempo e já não nos reconhecemos...


Como é que pomos um ponto final no processo que nos enterra um pouco mais a cada dia, quando fomos nós que o desencadeámos, somos nós que o alimentamos e somos nós que temos a mão no leme?


Como é que fazemos para acreditar naquilo que a nossa mente sabe, mas o nosso coração desconhece?


Como é que convencemos a nossa auto-estima de que está errada, e que somos muito melhores do que a impressão que deixamos em nós mesmos?


Como é que explicamos aos outros o que realmente nos move, se é algo inconcebível, até para o nosso cérebro?


Como é que deixamos o que nos destrói, segundo a segundo, e o substituímos pelo que sabemos estar correto, se o nosso ser está contaminado e não consegue ultrapassar-se a si próprio?


A imagem que reflectimos no espelho diz-nos abertamente:

- Eu sei o que é certo, o que devo fazer, como o fazer e porque o fazer. No entanto, o meu cérebro não acompanha, o meu corpo não obedece e o meu coração não ajuda...

E a nossa alma fica cansada...


Já ouvimos, lemos, pesquisámos, procurámos, testámos... teorias, soluções, resoluções... várias, muitas, diferentes, parecidas... Enfim...

Todavia, na verdade, o buraco continua a crescer, e a sensação de impotência não desaparece...

Mas, não há problema algum, a vida continua...


"Está tudo bem?

Claro que sim 😊. Estou óptima! 😉"




(Isto não é um pedido de ajuda, não é um sopro de desespero, não é a imagem espelhada  da minha vida, é apenas, e nada mais do que um desabafo, que só quem já passou ou está a passar por uma situação idêntica, conseguirá compreender)

Sem comentários:

Enviar um comentário